Sinopse: Uma cidadezinha atlântica portuguesa, hoje. Praia, casino, pescadores, peixeiras, doutores, bandidos, o rasto dos refugiados judeus da Segunda Guerra. Nesta terra consumida pela grandeza do passado — ou pela falsa memória de que foi grande — um homem escondeu-se do mundo. Onde nem todos os polícias juntos o encontram. Fala com as pombas e com deusinhos gregos, tem um Olimpo de vitrine. Quem não fez isto e aquilo e aqueloutro naquela altura? A vizinha de baixo arrasta as pantufas da velhice e da solidão, insulta as suas flores. Purificação já foi a mais bela mulher da cidade. O jogo do passado vem ter com a Borboleta. Um deus de província e do dinheiro sujo quer esmagá-la. Morre o cão, acaba a raiva. Um romance sobre um país que não encontra lugar no mundo. Da aflição das pessoas que procuram o amor, de fracasso em fracasso. Comédia humana onde, apesar de tudo, o mal pode morrer e a vida continuar. - EDIÇÕES TINTA-DA-CHINA
Um homem refugiado num sítio onde nem os polícias chegam. Uma vizinha mal humorada com problemas familiares, e passados também. Parece algo que eu escreveria mas Rui Cardoso Martins antecipou-se - é tão bizarro que chegamos a pensar que é verdade. É alucinante.
E deuses numa vitrine? Aposto que a Barbie ainda não se mexeu e o outro não vai dar o primeiro passo para saltar para cima dela. E Purificação? Que mulher.
Purificação e o nosso amigo sem nome que vive isolado vivem no passado e o autor é capaz de mostrar de uma maneira muito poética como o isolamento e o envelhecimento nos afeta, até porque "quem inventou a velhice devia arder no inferno". Tanta metáfora, tanta coisa boa.
Purificação é daquelas personagens deliciosas - ou não amasse eu personagens mais velhinhas e resmungonas - e tem uma história de vida que me deixou agarrada. Por que razão é ela tão amarga? Só mesmo no final nos é revelada a sua vida enquanto jovem e bela mulher.
Parece confuso ao início, mas deixei-me encantar por este livro.
A estreia de Rui Cardoso Martins nas minhas leituras, e que venham mais!
Título original: Jailbird (não traduzido para português)
Editora: Vintage Classics
Sinopse: Jailbird leva-nos a um mundo de puro Vonnegut, fraturado e cómico, onde há grandes crimes e baixos delitos no governo - e também no coração. Este conto irónico segue o burocrático Walter F. Starbuck, homem de Harvard, da sua chegada à Casa Branca de Nixon à sua ida para a cadeia como co-conspirador do escândalo de Watergate. O humor negro de Vonnegut resplandece nos corações frios e calculistas dos todos-poderosos gananciosos. Um retrato inesquecível do poder e da política dos nossos tempos. - GOODREADS (trad. Ana Nascimento)
A história começa com o "velho" Starbuck prestes a sair após terminar a sua pena devido ao escândalo de Watergate - terá sido ele mesmo um co-conspirador?
Após a sua saída da prisão, Starbuck encontra-se com uma série de indivíduos que o tratam de uma forma estranhamente amigável. Estes encontros têm todos, ou quase todos, referências à corporação RAMJAC - um negócio conglomerado omnipresente e de grandes receitas económicas na América, ou seja, o capitalismo em pessoa/empresa.
Um retrato da América de Nixon, o capitalismo contra o socialismo. Uma obra bastante política e, de longe, não dos melhores livros de Vonnegut. Embora se note que foi Vonnegut a escrever e que o humor lá esteja, este é um trabalho muito mais sério.
Percebo a razão de não estar traduzido para português - a meu ver, é necessário ter uma grande bagagem da historia da América e de todos os escândalos políticos da época, do antes e do depois para se compreender esta história por completo.
No entanto, não deixou de ser uma boa leitura onde dei algumas gargalhadas.
Classificação: 3/5*
Author: Kurt Vonnegut
Title: Jailbird
Publisher: Vintage Classics
Summary:Jailbird takes us into a fractured and comic, pure Vonnegut world of high crimes and misdemeanors in government—and in the heart. This wry tale follows bumbling bureaucrat Walter F. Starbuck from Harvard to the Nixon White House to the penitentiary as Watergate’s least known co-conspirator. But the humor turns dark when Vonnegut shines his spotlight on the cold hearts and calculated greed of the mighty, giving a razor-sharp edge to an unforgettable portrait of power and politics in our times. - GOODREADS
The story begins with the "old" Starbuck leaving penitenciary after years in prison due to the Watergate scandal - is he really a conspirator?
After his leaving, Starbuck finds several people who treat him in a very friendly, yet weird, way. This encounters have all, or almost all of them, to do with the RAMJAC corporation - an omnipresent business, highly profitable comglomerate, so to say, capitalism itself.
A portrait of Nixon's America, the capitalism against socialism. A political book and, by far, not the best Vonnegut book. Even though you notice his humour and style, this is much more of a serious job.
This book isn't translated into Portuguese and get it - in my honest opinion, you need to have a big background information about America's histori, the before and after, the knowledge of all the scandals and political problems in Ameria so you can understand this book to a hundred percent.
Sinopse: Leite e Mel é um conjunto de poesias sobre o amor, a perda, o abuso infantil e, finalmente, a cura. Transporta os leitores para momentos difíceis da vida, mas leva-os a descobrir neles a doçura e a fragilidade da vida, porque a doçura está em todo o lado, se estivermos abertos a recebê-la. Leite e Mel é uma história de sobrevivência através da poesia. Para a autora, é o sangue, suor e lágrimas dos seus vinte e um anos. Lançado originalmente pela própria autora na Amazon, o livro tornou-se tão famoso que não passou despercebido no mundo editorial e os seus direitos foram adquiridos. - WOOK
Este livro é cru. Sou capaz de ver a pureza e vida numa parte ou outra. A parte erótica foi a mais complicada para mim, uma vez que não me identifico em nada com o que Rupi Kaur escreveu, mesmo que faça parte da vida.
Consegui identificar-me com algumas coisas nos primeiros capítulos e agradeço à autora por colocar em palavras aquilo que eu não consigo expressar.
Comecei a ler o livro e a adorar mas depois cansou e comecei a ficar enojada. Não estou a ser puritana nem nada, mas o texto mais sexual é horrível e infantil. Não é preciso estar sempre a atirar-me à cara que o quer dentro dela.
Mas bem, se estás a passar por uma situação semelhante à da personagem do livro, és capaz de gostar (e muito).
Recomendo a todos o que querem uma lufada de ar fresco nas suas leituras. Mas não leiam se vão à procura de poemas. É uma prosa com parágrafos a fingir de poema, aviso já.
Tenho de admitir que as ilustrações são bonitas. E compreendo a razão de muitas pessoas gostarem, e chegarem a amar, este livro - ou porque passaram por uma situação semelhante ou estão neste momento a passar por ela.
Rating: 3,75/5*
Author: Rupi Kaur
Title: Milk and Honey
Publisher: Createspace
Sinopse: milk and honey is a collection of poetry and prose about survival. It is about the experience of violence, abuse, love, loss, and femininity. It is split into four chapters, and each chapter serves a different purpose, deals with a different pain, heals a different heartache. milk and honey takes readers through a journey of the most bitter moments in life and finds sweetness in them because there is sweetness everywhere if you are just willing to look.
This book is raw. I can see pureness in it and live this and that part. The erotic part was the hardest one for me, once I don't really like those things even though they're part of life itself.
I can identify with many things Rupi Kaur wrote and I thank her for that, for putting into words some things I can't express myself.
I started enjoying it and ended up getting disgusted. I'm not being puritan or anything, but the sexual text is just awful and childish from my point of view. You don't need to keep telling me you want him inside of you.
But well, if you're going through something like that you might really enjoy it.
Recommend it to everyone who's looking for some fresh air in their readings.
I must say that the illustrations are beautiful and simple.
Autor: Neil Gaiman Título: O Oceano no Fim do Caminho Título original: The Ocean at the End of the Lane Editora:Editorial Presença Sinopse: Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afeta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás. - EDITORIAL PRESENÇA
Sinto que fui atacada por este livro. Sugou-me para dentro das suas páginas, não me largou mais e duvido que alguma vez na vida o fará.
Foi o primeiro livro de Neil Gaiman que li e acho que não podia começar melhor.
É mágico, é envolvente e, tal como Joanne Harris disse sobre o livro, é daqueles "que se apoderam de nós, de corpo e alma".
Toda a família Hempscock me delicia com as suas "magias", não bruxarias porque a avó Hempstock não gosta dessa palavra.
O livro, embora sejam memórias que um adulto tem de quando eram criança, toca em tantos assuntos importantes para os dias de hoje no que toca a "ser humano", ser criança e ser adulto, ir pelos caminhos feitos ou criar o nosso próprio caminho pelo meio do mato.
Não há maneira de contornar este livro nas nossas vidas. É um daqueles livros que se torna obrigatório ler!
E eu quero lê-lo de novo, pela primeira vez, para me espantar de novo com tudo. Para me assustar, para ter medo, para ser forte, para querer chorar, para compreender o que se passa com o jovem e com as mulheres Hempstock. Para ver todas as criaturas de novo, para me encontrar de novo com a gatinha, para ver as vermineiras, para... mergulhar no oceano.
Classificação: 5/5
Author: Neil Gaiman Title: The Ocean at the End of the Lane Editora:Headline Publishing Book Summary:The Ocean at the End of the Lane is the bestselling magical novel from Neil Gaiman, one of the most brilliant storytellers of our generation and author of the epic novel American Gods, and the much-loved Sandman series. 'Possibly Gaiman's most lyrical, scary and beautiful work yet. It's a tale of childhood for grown-ups, a fantasy rooted in the darkest corners of reality' (Independent on Sunday). If you loved the mesmerising world of Erin Morgenstern's The Night Circus or were drawn into J.K. Rowling's magical universe, this book is for you. It began for our narrator forty years ago when the family lodger stole their car and committed suicide in it, stirring up ancient powers best left undisturbed. Dark creatures from beyond this world are on the loose, and it will take everything our narrator has just to stay alive: there is primal horror here, and menace unleashed - within his family and from the forces that have gathered to destroy it. His only defence is three women, on a farm at the end of the lane. The youngest of them claims that her duckpond is an ocean. The oldest can remember the Big Bang.The Ocean at the End of the Lane is a fable that reshapes modern fantasy: moving, terrifying and elegiac - as pure as a dream, as delicate as a butterfly's wing, as dangerous as a knife in the dark. - BOOKDEPOSITORY
I feel like I was stroked by this book. It sucked me inside its pages, it never let me go and I highly doubt it will ever.
It was the first book by Neil Gaiman that I've read and I couldn't have a better start.
It's magical, engaging and, as Joanne Harris said about the book, "some books just swallow you up, heart and soul".
All Hempstock family delights me with their "magic", not "witchcraft" because grandma Hempstock doesn't like that word.
Even though in the book an adult remembers his childhood memories, it touches very important subjects in our days: being human, being a child and an adult, take the path or make your own through the brushwood.
There's no way not to read this book in our lives. It's one of those books that should mbe mandatory to read!
And I want to read it again and for the first time again, so I can be shocked with everything. To get frightened, get scared, to be strong, to cry, to understand what's going on with the young boy and the Hempstock women. To see all the creatures again. to meet the kitty again, to see the varmints, to... dive in the ocean.
«O que espanta num gato é a maneira como combina a neurose, a desconfiança e o medo - para não falar numa ausência total de sentido de humor - com o talento para procurar e apreciar o conforto e, sobretudo, a capacidade para dormir 20 em cada 24 horas, sem a ajuda de benzodiazepinas.
O gato é neurótico mas brinca. (...) Mas, acima de tudo, descobriu o sistema binário da existência.
Que é: dormir faz fome. Comer faz sono. Acordo porque tenho fome.
Adormeço porque comi. Nos intervalos, faço as necessidades.» - PORTO EDITORA
Opinião
É isso... Fui feliz com este livro. Não porque a minha vida é a melhor ou está melhor mas porque este livro fez-me aperceber que tudo o que eu acho que é mau - e faço um drama em torno de - é algo sem valor. Fez-me feliz.
Comecei a olhar para a vida com outros olhos e comecei a ver como realmente era linda, como era simples. Fiquei mais feliz.
O primeiro livro de Ricardo Araújo Pereira depois da publicação de seis volumes de crónicas e guiões radiofónicos
Já não é preciso esperar mais para saber o que RAP tem a dizer sobre humor. Podíamos fazer uma piada acerca da importância deste livro mas — porque o humor não é «apenas» humor — o melhor é mesmo lê-lo.
«Esta é a minha hipótese: humor, ou sentido de humor, é, na verdade, um modo especial de olhar para as coisas e de pensar sobre elas. É raro, não porque se trate de um dom oferecido apenas a alguns escolhidos, mas porque esse modo de olhar e de raciocinar é bastante diferente do convencional (às vezes, é precisamente o oposto), e a maior parte das pessoas não tem interesse em relacionar-se com o mundo dessa forma, ou não pode dar-se a esse luxo. Somos treinados para saber o que as coisas são, não para perder tempo a investigar o que parecem, ou o que poderiam ser. Este livro procura identificar e discutir algumas características dessa maneira de ver e de pensar.» — RAP
Editora: Penguin Books Editora em Portugal: Marcador (Título: "A Elizabeth Desapareceu) Classificação: 4/5 *
Não sabia bem o que esperar deste livro mas sabia que o queria ler - não tivesse eu um carinho especial por todos os personagens seniores e rabugentos. O meu parecer? Vai tocar nos nossos corações e vai custar.
Maud Horsham, foi diferente dos outros seniores sobre os quais eu já li. Uma senhora de 82 anos com Alzheimer e com um grande mistério em mãos que apenas ela pode resolver. A sua amiga Elizabeth está desaparecida e ninguém vai parar Maud de encontrar as respostas que ela procura.
Este livro é difícil de começar, é verdade... Mas, na minha humilde opinião, foi feito com esse propósito. Andar para trás e para a frente no tempo, haver saltos no tempo dentro do mesmo capítulo sem aviso prévio. Maud vai-se recordando da sua meninice e do que se passou com a sua irmã Sukey, depois voltamos ao presente e há qualquer coisa que Maud está a fazer que é completamente errado (ou que já fez mais de dez vezes nesse dia).
Quando o comecei só o quis pousar e parar de ler, maioritariamente por causa destes saltos no tempo que eu não compreendia mas algo me fez continuar. Chegou uma altura em que eu própria queria saber o que se tinha passado com Elizabeth, tanto era o mistério em torno dela. E só Maud me poderia dar as respostas às minhas perguntas, até porque inventei mil e uma teorias sobre o que se podia ter passado com Elizabeth.
Alguns de vocês já sabem, outros ainda não, mas eu já fiz beta-reading.
O que faz um beta-reader? Este é contactado pelo autor para fazer uma primeira leitura do livro que escreveu antes de o enviar para a editora para encontrar erros, inconsistências e receber feedback.
Beta-reading é diferente de ler exemplares de avanço antes do lançamento do livro, o qual nunca fiz. No entanto já li livros sem pagar por eles em troca de uma opinião sincera sobre o exemplar que recebi.
Um dos sítios onde fiz isso foi no Story Cartel e foi lá que conheci aquela autora que me viria a dar a primeira experiência como beta-reader.
Parece um trabalho fácil mas é como se realizássemos o trabalho de revisor.
O primeiro livro para o qual fui beta-reader foi um livro infanto-juvenil da autora R. Anne Polcastro, foi o segundo livro da saga Left Behind, "Left Behind: Brave New World".
Mais tarde a autora pediu-me para fazer o mesmo para uma novella que iria lançar no início de 2015, "The Last Magdalene". Uma história completamente diferente do que estamos habituados, mas podem ver a minha opinião no meu perfil do Goodreads.
Ufa, que este livro é daqueles que custa a ler. Parece tão inofensivo não é? A capa bonitinha, uma senhora idosa com Alzheimer que está à procura da sua amiga Elizabeth que desapareceu misteriosamente. E apenas Maud pode resolver o mistério.
Entre saltos entre o passado e o presente, a história constrói-se mas são precisamente estes saltos que me estão a dificultar a leitura! Não porque há um movimento no tempo em si, mas porque esse salto no tempo é feito no meio do presente e não, por exemplo, capítulo a capítulo. Suponho que é conforme Maud se vai lembrando do passado no presente?
O livro é pequeno e eu nem a meio vou. Mas já tinha comentado isto antes...
A senhora é chatinha, sim, mas cheguei a uma parte do livro em que já me "irrito" e começo a querer saber também onde se enfiou a Elizabeth - tenho uma teoria até e só quero confirmá-la. Ou se calhar estou a achar tudo tão óbvio que no fim vou ficar surpreendida por não ser nada do que estou a pensar.
Foi uma experiência interessante e um desafio este Março Feminino!
Para além de ver filmes que, provavelmente, nunca iria ver na vida gostei da experiência da pesquisa por filmes realizados por mulheres - e encontrei uma favorita (Karyn Kusama já não se livra de mim).
Com muita pena minha não consegui terminar o Elizabeth Is Missing nem começar a ler o Sombras Queimadas da Kamila Shamsie. Provavelmente lerei depois de terminar o livro da Elizabeth, já que estava para o ler logo de seguida.
Com o mês de Março pensei que ia encarreirar e conseguir ler mais livros do que aquilo que ando a ler. Sabem que mais? Não.
Até me entusiasmei pelo Março Feminino mas só estou virada para filmes por ser mais fácil de chegar ao final da história.
Neste momento estou a ler Elizabeth is Missing da Emma Healey e sei que o problema não é do livro mas meu. Não sou capaz de me sentar e ler. Ou é o barulho na rua, ou o barulho em casa, ou não estou no mood, ou a minha mente começa a vaguear quando pego no livro e tenho de reler duas páginas. Depois não paro de pensar em certas situações que ocorrem na minha vida, começo a ficar obcecada com isso e sinto-me mal por ler.
E eu que queria ainda ler o Sombras Queimadas da Kamila Shamsie que comprei o ano passado na Feira do Livro de Lisboa. Tão inocente que eu era no início de Março, a pensar que ia mudar alguma coisa.
Até criei um monthly tracker para ver o que fazia e não fazia durante o dia. Criei objectivos, tentei alcançá-los e cansei-me.
Sim, eu já abandonei livros a meio (ou a menos de meio) e eu gosto de lhe chamar a minha "Lista da Vergonha" ou os "Livros Não-Líveis" - não "ilegível" porque isso é outra coisa para mim.
Abandonei estes livros por diversas razões. Alguns deles apenas os coloquei em stand-by por motivos de tempo e/ou paciência para os ler - por vezes não é o momento de ler aquele livro que tanto queríamos ler.
Vamos lá às listas da minha vergonha (das quais não sinto vergonha nenhuma!):
- Livros que (provavelmente) não vou voltar a pegar -
Vinte Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne
É isso. Não fui capaz de passar muito das primeiras 20-30 páginas. Será que foi a tradução? Foi o estilo de escrita? Sinceramente não me lembro porque parei de o ler por volta de 2012 e em inícios de 2013 decidi que não conseguia continuar com ele. Mais tarde comecei a ler outro livro de Júlio Verne mas em inglês, "From the Earth to the Moon" e também desisti nas primeiras páginas. Talvez não seja para mim, ou simplesmente não estou preparada para este autor.
Nicholas Nickleby de Charles Dickens
Se passei das primeiras 20 páginas foi muito. Comecei o livro em inglês e exactamente com a edição da qual deixei aqui a imagem. Para além disso, o livro é enorme e isso diminuiu a minha vontade de o ler, para não falar da letra miudinha com que está escrito. Achei a escrita complicada na altura - foi em 2013 que o comecei a ler mas logo desisti.
Foi o primeiro livro que li de Banana Yoshimoto, pseudónimo da escritora japonesa Mahoko Yoshimoto. Foi-me oferecido pelo meu namorado, uma vez que ele sabia que eu queria muito ler um livro de Yoshimoto e também este título em particular.
O livro reúne três pequenas histórias cujos protagonistas são três mulheres: Shibumi, Fumi e Terako. Há um ponto em comum com todas estas mulheres: todas elas perderam alguém querido e lidam com essa perda através do sono.
Na primeira história, "Night and Night's Travelers", que poderia ser traduzido como "A noite e os viajantes da noite", Shibumi perde o seu irmão depois de este se ter apaixonado por uma rapariga americana chamada Sarah, ter viajado com ela para Boston e, quando volta de coração partido para o Japão, morre sem razão aparente. Entretanto Mari, a prima dos dois irmãos confessa que sempre se sentiu atraída pelo primo. Conta-se então a relação de Shibumi com Mari e como as duas lidam com a perda de alguém que amam profundamente. Há um quê de paranormal, um clima mais esotérico no final do conto que é se calhar o que faz esta história interessante. Para mim, foi a mais fraca das três - quase como se a autora nos quisesse fazer adormecer também enquanto a lemos.
Na segunda história, "Love Songs", traduzido para português seria "Canções de Amor", temos Fumi que trava uma batalha contra o álcool e, cada vez que se embebeda e está prestes a adormecer, ouve uma música familiar e recorda-se da sua amiga Haru. Esta sua "amiga" foi sua companheira de casa em conjunto com o homem pelas quais as duas estavam apaixonadas - sim, moravam os três juntos e as duas mulheres não se suportavam. Até que Fumi descobre que Haru morreu e não é capaz de lidar com essa perda. Mais uma vez, há um toque de paranormal na história que a eleva a outro nível, muito mais profundo e elegantemente mórbido, no bom sentido. É uma história poderosa sobre a relação que existia entre Fumi e Haru enquanto lutavam pelo amor de um homem que, para dizer a verdade, parecia nem querer saber de uma nem de outra, mas que alimentava o amor que ambas sentiam por ele continuando a viver com as duas na mesma casa. Uma história bonita pelo seu tema em si e em como, por vezes, não nos queremos realmente "desfazer" de alguém, por mais que a odiemos.
Tinha começado a ler o livro há uns bons 3 anos mas parei e não me lembro porquê. Talvez porque era a versão digital do livro e me cansei?
Quando peguei no livro sabia o que ia encontrar, ou pensava eu que sabia. Foi o primeiro livro do mestre Murakami com o qual ele nunca sonhou vir a ser aquilo que é hoje para milhões de pessoas em todo o mundo: um escritor de culto.
Neste livro, que na realidade são dois, somos capazes de ver o que ia na cabeça do jovem Murakami e a ideia que este tem de livro. Nota-se que queria inovar e notam-se que a música já fazia uma grande parte da sua vida. Em todo o livro conseguimos ouvir as melodias que este evoca. Somos capazes de sentir as sonoridades mesmo sem as ouvir. Mesmo no silêncio, as suas palavras são harmonizadas e tocam uma música só delas.
Murakami leva-nos para outro mundo, que é Yamanote, mas que não é o mundo que estamos habituados a ver.
Autor: Romain Puértolas Editora: Porto EditoraClassificação: 5/5 *
Comprei este livro porque o título me chamou à atenção. Muito pouco sabia ao que ia. Ainda bem que o comprei, ainda bem que o li.
Depois das primeiras páginas, caí no "erro" de ler por alto algumas opiniões sobre o livro no Goodreads. Ouvi dizer que este livro era racista, que não mostrava respeito pelos clandestinos que tentam a sua sorte por uma vida melhor na nossa querida Europa e que gozava com a situação.
Não vejo o racismo neste livro. Vejo um abre-olhos para a situação da clandestinidade. Vejo que tenta fomentar a empatia para com estas pessoas.
Coloquem este assunto num livro que fale directamente sobre a emigração ilegal e esperem que o livro ganhe pó nas estantes das livrarias.
Do início ao fim senti uma evolução no livro mas principalmente no autor. O que começou, a meu ver, por ser uma brincadeira e tentativa de satirizar a situação insólita que é um Rajastanês viajar de propósito da Índia até França apenas para comprar o último modelo de cama de pregos no IKEA, e no fim acaba por visitar a vida de todos aqueles que o faquir encontra durante o seu caminho.
Romain Puértolas faz um trabalho fantástico na abordagem deste tema. Um livro que me marcou muito e arrisco-me a dizer que foi a melhor leitura que fiz em 2016.