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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Opinião | Da Sociedade Contemporânea Em "Look Who's Back"

Hitler

Começo já por dizer que, desde que vi o livro nas livrarias, tenho sempre o impulso de o trazer comigo, ou de o mandar vir mais barato da internet.

Como sei que não o vou comprar tão cedo, decidi ver o filme - e continuo com a intenção de ler o livro, com o mesmo nome, de Timur Vermes.

O quanto me ri no início deste filme! E quanta foi a vontade de rir que fui perdendo ao longo do filme.
Embora seja considerado, e catalogado como, um filme de comédia tenho as minhas dúvidas que David Wnendt tivesse a intenção que fosse apenas um filme cómico, satírico sobre um dos maiores ditadores que o mundo já conheceu, o nosso querido Adolf Hitler.

Hitler

É do nada que Hitler "cai do céu" no que foi considerado o local do seu antigo bunker durante a II Guerra Mundial. Acontece que um repórter freelancer, numa das suas tentativas de fazer uma reportagem de sucesso, filma a chegada de Adolf Hitler - no entanto, é a sua mãe que repara quando este está a ver as últimas filmagens que fez antes de ser despedido do canal para o qual trabalhava.

Ver a adaptação de um Adolf Hitler ao século XXI, ver como este muito provavelmente responderia a todos os estímulos sociais a que hoje nós chamamos "quotidiano" - internet, telemóveis, selfies, televisões com espessuras não superiores a 3 centímetros - e ver como este reage à multiculturalidade de Berlim é um mimo, uma pérola daquelas que nós pagaríamos para ver.

Enquanto ninguém acredita que Hitler é verdadeiramente ele próprio, este tenta continuar os seus planos de domínio na Alemanha, o seu ódio contra os turcos e os polacos continua o mesmo. Este encontra pessoas que concordam com campos de concentração e que são contra a imigração e o acolhimento de refugiados na Alemanha. Com certeza que haverão pessoas assim, e não devem ser poucas, mas Hitler fica contente por poder começar a recrutar novos peões para os seus planos maléficos.

Hitler

O problema? Todos acham que é um comediante que nunca larga o seu papel como Adolf Hitler. Até que o jornalista que o lançou para o estrelato da televisão nacional se apercebe que não é alguém que se faz passar pelo ditador mas é o próprio ditador.

Entre gargalhadas e situações caricatas, começamos a compreender onde tanto o autor do livro como o realizador do filme querem chegar. "Ele Está De Volta" poderia ser o nome do filme em português e é isso mesmo que se está a passar na nossa sociedade: as ideias de Hitler estão e volta. 
Hitler aqui não é a pessoa mas os ideais que este defendia: a xenofobia, a falta de respeito pelas nações que não a nossa, o controlo das massas através da propaganda, o medo da perda de identidade (neste caso) alemã.

No início disse que comecei o filme a dar gargalhadas mas que estas foram diminuindo. Porquê? Não é spoiler nenhum, mas no final do filme passam cenas reais do que passa nas nossas televisões todos os dias: guerras, xenofobia, imigração ilegal por parte de pessoas que não tiveram outro remédio senão fugir dos seus países, manifestações contra estrangeiros...

Ele está de volta. E se ele está de volta, é porque há Hitlers entre nós, pessoas que pensam como ele.

Classificação: 7,75/10

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Opinião | "Carrie Pilby"

Carrie
Realização: Susan Johnson
Argumento: Kara Holden, Casen Lissner (baseado no romance de)
Com: Bell Powley, Nathan Lane, Gabriel Byrne, Vanessa Bayer, Colin O'Donoghue, Jason Ritter, William Moseley, Desmin Borges
Género: Comédia, Drama

Carrie Pilby não é mais uma adolescente de 19 anos. Com 18 anos terminou o seu curso em Harvard, tem um Q.I. de 185, é tímida, não gosta de socializar, dedica-se à leitura e mudou-se há algum tempo para um apartamento em Nova Iorque.
O seu pai mora em Londres e a sua mãe morreu há menos de cinco anos. O seu livro favorito é "Franny e Zooey" de J.D. Salinger e tem memória fotográfica.
Preocupado com a sua filha, Mr. Pilby pede à sua filha que comece a ver um psicólogo para ver se consegue avançar com a sua vida e, mais tarde, consegue arranjar-lhe um emprego como revisora num escritório de advogados.
O problema de Pilby: viver uma vida com base nos seus principios morais num mundo que não quer saber deles.
Carrie
Esta Carrie Pilby é um amor de miúda! Não sei se porque me identifiquei muito com ela no que toca aos princípios morais e ideologias que tem, mais o amor aos livros e à vontade de aprender, ou se simplesmente a atriz faz um trabalho extraordinário. Talvez as duas... Sim, é provável.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Opinião | "Housebound"

Resultado de imagem para housebound movie

Realizador: Gerard Johnstone
Com: Morgana O'Reilly, Rima Te Wiata, Glen-Paul Waru
País: Nova Zelândia
Género: Terror, Mistério, Comédia

Não se enganem quando reparam que é um filme de terror e mistério com comédia à mistura. Não pensem também que é uma tentativa neozelandesa de fazer um novo "Scary Movie". Este filme tem tanto de terror como de comédia.

Somos imediatamente introduzidos à vida complicada, e fora da lei, de Kylie Bucknell. Esta é presa após ser apanhada num assalto a uma caixa de multibanco quando o seu parceiro morre no local - e de uma maneira bastante hilariante, só para começar a cheirar o tipo de comédia que vamos ver ao longo do filme. Kylie é colocada em prisão domiciliária, ironicamente, em casa dos seus pais. Já não basta estar presa na sua própria casa e esta ainda tem de conviver com a sua mãe, da qual fugiu quando era mais nova para se entregar a uma vida boémia e criminosa.