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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Opinião | "A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram Num Bar" de Ricardo Araújo Pereira

OpiniãoAutor: Ricardo Araújo Pereira
Editora: Tinta- da-China Edições
Classificação: 4/5 *

Sinopse:
O primeiro livro de Ricardo Araújo Pereira depois da publicação de seis volumes de crónicas e guiões radiofónicos
Já não é preciso esperar mais para saber o que RAP tem a dizer sobre humor. Podíamos fazer uma piada acerca da importância deste livro mas — porque o humor não é «apenas» humor — o melhor é mesmo lê-lo.

«Esta é a minha hipótese: humor, ou sentido de humor, é, na verdade, um modo especial de olhar para as coisas e de pensar sobre elas. É raro, não porque se trate de um dom oferecido apenas a alguns escolhidos, mas porque esse modo de olhar e de raciocinar é bastante diferente do convencional (às vezes, é precisamente o oposto), e a maior parte das pessoas não tem interesse em relacionar-se com o mundo dessa forma, ou não pode dar-se a esse luxo. Somos treinados para saber o que as coisas são, não para perder tempo a investigar o que parecem, ou o que poderiam ser. Este livro procura identificar e discutir algumas características dessa maneira de ver e de pensar.» — RAP

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Opinião | "Elizabeth is Missing" de Emma Healey

OpiniãoAutor: Emma Healey
Editora: Penguin Books
Editora em Portugal: Marcador (Título: "A Elizabeth Desapareceu)
Classificação: 4/5 *

Não sabia bem o que esperar deste livro mas sabia que o queria ler - não tivesse eu um carinho especial por todos os personagens seniores e rabugentos. O meu parecer? Vai tocar nos nossos corações e vai custar.

Maud Horsham, foi diferente dos outros seniores sobre os quais eu já li. Uma senhora de 82 anos com Alzheimer e com um grande mistério em mãos que apenas ela pode resolver. A sua amiga Elizabeth está desaparecida e ninguém vai parar Maud de encontrar as respostas que ela procura.

Este livro é difícil de começar, é verdade... Mas, na minha humilde opinião, foi feito com esse propósito. Andar para trás e para a frente no tempo, haver saltos no tempo dentro do mesmo capítulo sem aviso prévio. Maud vai-se recordando da sua meninice e do que se passou com a sua irmã Sukey, depois voltamos ao presente e há qualquer coisa que Maud está a fazer que é completamente errado (ou que já fez mais de dez vezes nesse dia). 
Quando o comecei só o quis pousar e parar de ler, maioritariamente por causa destes saltos no tempo que eu não compreendia mas algo me fez continuar. Chegou uma altura em que eu própria queria saber o que se tinha passado com Elizabeth, tanto era o mistério em torno dela. E só Maud me poderia dar as respostas às minhas perguntas, até porque inventei mil e uma teorias sobre o que se podia ter passado com Elizabeth.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Vamos Falar De | A Minha Experiência Como Beta-Reader

Alguns de vocês já sabem, outros ainda não, mas eu já fiz beta-reading. 

O que faz um beta-reader? Este é contactado pelo autor para fazer uma primeira leitura do livro que escreveu antes de o enviar para a editora para encontrar erros, inconsistências e receber feedback. 

Beta-reading é diferente de ler exemplares de avanço antes do lançamento do livro, o qual nunca fiz. No entanto já li livros sem pagar por eles em troca de uma opinião sincera sobre o exemplar que recebi. 
Um dos sítios onde fiz isso foi no Story Cartel e foi lá que conheci aquela autora que me viria a dar a primeira experiência como beta-reader.

Parece um trabalho fácil mas é como se realizássemos o trabalho de revisor.

O primeiro livro para o qual fui beta-reader foi um livro infanto-juvenil da autora R. Anne Polcastro, foi o segundo livro da saga Left Behind, "Left Behind: Brave New World".

Experiência livro

Mais tarde a autora pediu-me para fazer o mesmo para uma novella que iria lançar no início de 2015, "The Last Magdalene". Uma história completamente diferente do que estamos habituados, mas podem ver a minha opinião no meu perfil do Goodreads.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Ainda a Ler | "Elizabeth is Missing" de Emma Healey

Ufa, que este livro é daqueles que custa a ler. Parece tão inofensivo não é? A capa bonitinha, uma senhora idosa com Alzheimer que está à procura da sua amiga Elizabeth que desapareceu misteriosamente. E apenas Maud pode resolver o mistério.


Entre saltos entre o passado e o presente, a história constrói-se mas são precisamente estes saltos que me estão a dificultar a leitura! Não porque há um movimento no tempo em si, mas porque esse salto no tempo é feito no meio do presente e não, por exemplo, capítulo a capítulo. Suponho que é conforme Maud se vai lembrando do passado no presente?

O livro é pequeno e eu nem a meio vou. Mas já tinha comentado isto antes...
A senhora é chatinha, sim, mas cheguei a uma parte do livro em que já me "irrito" e começo a querer saber também onde se enfiou a Elizabeth - tenho uma teoria até e só quero confirmá-la. Ou se calhar estou a achar tudo tão óbvio que no fim vou ficar surpreendida por não ser nada do que estou a pensar.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Março Feminino | Wrap-Up De Filmes e Livros

Foi uma experiência interessante e um desafio este Março Feminino!

Para além de ver filmes que, provavelmente, nunca iria ver na vida gostei da experiência da pesquisa por filmes realizados por mulheres - e encontrei uma favorita (Karyn Kusama já não se livra de mim).

Livros

collage1

  • Asleep de Banana Yoshimoto
  • Elizabeth is Missing de Emma Healley
  • Sombras Queimadas de Kamila Shamsie
Com muita pena minha não consegui terminar o Elizabeth Is Missing nem começar a ler o Sombras Queimadas da Kamila Shamsie. Provavelmente lerei depois de terminar o livro da Elizabeth, já que estava para o ler logo de seguida.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Problemas em ler | Sou só eu?

Com o mês de Março pensei que ia encarreirar e conseguir ler mais livros do que aquilo que ando a ler. Sabem que mais? Não.

Até me entusiasmei pelo Março Feminino mas só estou virada para filmes por ser mais fácil de chegar ao final da história.

Neste momento estou a ler Elizabeth is Missing da Emma Healey e sei que o problema não é do livro mas meu. Não sou capaz de me sentar e ler. Ou é o barulho na rua, ou o barulho em casa, ou não estou no mood, ou a minha mente começa a vaguear quando pego no livro e tenho de reler duas páginas. Depois não paro de pensar em certas situações que ocorrem na minha vida, começo a ficar obcecada com isso e sinto-me mal por ler.


E eu que queria ainda ler o Sombras Queimadas  da Kamila Shamsie que comprei o ano passado na Feira do Livro de Lisboa. Tão inocente que eu era no início de Março, a pensar que ia mudar alguma coisa.

Até criei um monthly tracker para ver o que fazia e não fazia durante o dia. Criei objectivos, tentei alcançá-los e cansei-me.

Alguma dica?

quinta-feira, 16 de março de 2017

Livros Que Abandonei a Meio | A Lista Da Vergonha

Sim, eu já abandonei livros a meio (ou a menos de meio) e eu gosto de lhe chamar a minha "Lista da Vergonha" ou os "Livros Não-Líveis" - não "ilegível" porque isso é outra coisa para mim.

Abandonei estes livros por diversas razões. Alguns deles apenas os coloquei em stand-by por motivos de tempo e/ou paciência para os ler - por vezes não é o momento de ler aquele livro que tanto queríamos ler.

Vamos lá às listas da minha vergonha (das quais não sinto vergonha nenhuma!):

- Livros que (provavelmente) não vou voltar a pegar -


Vinte Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne

Vinte Mil Léguas Submarinas
É isso. Não fui capaz de passar muito das primeiras 20-30 páginas. Será que foi a tradução? Foi o estilo de escrita? Sinceramente não me lembro porque parei de o ler por volta de 2012 e em inícios de 2013 decidi que não conseguia continuar com ele. Mais tarde comecei a ler outro livro de Júlio Verne mas em inglês, "From the Earth to the Moon" e também desisti nas primeiras páginas. Talvez não seja para mim, ou simplesmente não estou preparada para este autor.


Nicholas Nickleby de Charles Dickens

Nicholas Nickleby
Se passei das primeiras 20 páginas foi muito. Comecei o livro em inglês e exactamente com a edição da qual deixei aqui a imagem. Para além disso, o livro é enorme e isso diminuiu a minha vontade de o ler, para não falar da letra miudinha com que está escrito. Achei a escrita complicada na altura - foi em 2013 que o comecei a ler mas logo desisti.



terça-feira, 7 de março de 2017

Opinião | "Asleep" de Banana Yoshimoto



Autor: Banana Yoshimoto
Editora: faber and faber | Edições em Português: Cavalo-de-Ferro
Classificação: 3,5/5 *

Foi o primeiro livro que li de Banana Yoshimoto, pseudónimo da escritora japonesa Mahoko Yoshimoto. Foi-me oferecido pelo meu namorado, uma vez que ele sabia que eu queria muito ler um livro de Yoshimoto e também este título em particular.

O livro reúne três pequenas histórias cujos protagonistas são três mulheres: Shibumi, Fumi e Terako. Há um ponto em comum com todas estas mulheres: todas elas perderam alguém querido e lidam com essa perda através do sono.

Na primeira história, "Night and Night's Travelers", que poderia ser traduzido como "A noite e os viajantes da noite", Shibumi perde o seu irmão depois de este se ter apaixonado por uma rapariga americana chamada Sarah, ter viajado com ela para Boston e, quando volta de coração partido para o Japão, morre sem razão aparente. Entretanto Mari, a prima dos dois irmãos confessa que sempre se sentiu atraída pelo primo. Conta-se então a relação de Shibumi com Mari e como as duas lidam com a perda de alguém que amam profundamente. Há um quê de paranormal, um clima mais esotérico no final do conto que é se calhar o que faz esta história interessante. Para mim, foi a mais fraca das três - quase como se a autora nos quisesse fazer adormecer também enquanto a lemos.

Na segunda história, "Love Songs", traduzido para português seria "Canções de Amor", temos Fumi que trava uma batalha contra o álcool e, cada vez que se embebeda e está prestes a adormecer, ouve uma música familiar e recorda-se da sua amiga Haru. Esta sua "amiga" foi sua companheira de casa em conjunto com o homem pelas quais as duas estavam apaixonadas - sim, moravam os três juntos e as duas mulheres não se suportavam. Até que Fumi descobre que Haru morreu e não é capaz de lidar com essa perda. Mais uma vez, há um toque de paranormal na história que a eleva a outro nível, muito mais profundo e elegantemente mórbido, no bom sentido. É uma história poderosa sobre a relação que existia entre Fumi e Haru enquanto lutavam pelo amor de um homem que, para dizer a verdade, parecia nem querer saber de uma nem de outra, mas que alimentava o amor que ambas sentiam por ele continuando a viver com as duas na mesma casa. Uma história bonita pelo seu tema em si e em como, por vezes, não nos queremos realmente "desfazer" de alguém, por mais que a odiemos.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Opinião | "Ouve a Canção do Vento/Flíper, 1973" de Haruki Murakami


Autor: Haruki Murakami
Editora: Casa das Letras (Grupo Leya)
Classificação: 5/5 *

Tinha começado a ler o livro há uns bons 3 anos mas parei e não me lembro porquê. Talvez porque era a versão digital do livro e me cansei?

Quando peguei no livro sabia o que ia encontrar, ou pensava eu que sabia. Foi o primeiro livro do mestre Murakami com o qual ele nunca sonhou vir a ser aquilo que é hoje para milhões de pessoas em todo o mundo: um escritor de culto.

Neste livro, que na realidade são dois, somos capazes de ver o que ia na cabeça do jovem Murakami e a ideia que este tem de livro. Nota-se que queria inovar e notam-se que a música já fazia uma grande parte da sua vida. Em todo o livro conseguimos ouvir as melodias que este evoca. Somos capazes de sentir as sonoridades mesmo sem as ouvir. Mesmo no silêncio, as suas palavras são harmonizadas e tocam uma música só delas.
Murakami leva-nos para outro mundo, que é Yamanote, mas que não é o mundo que estamos habituados a ver.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Opinião: "A Incrível Viagem do Faquir que Ficou Fechado Num ArmárioIkea" de Romain Puértolas

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Autor: Romain Puértolas
Editora: Porto EditoraClassificação: 5/5 *

Comprei este livro porque o título me chamou à atenção. Muito pouco sabia ao que ia. Ainda bem que o comprei, ainda bem que o li.

Depois das primeiras páginas, caí no "erro" de ler por alto algumas opiniões sobre o livro no Goodreads. Ouvi dizer que este livro era racista, que não mostrava respeito pelos clandestinos que tentam a sua sorte por uma vida melhor na nossa querida Europa e que gozava com a situação.

Não vejo o racismo neste livro. Vejo um abre-olhos para a situação da clandestinidade. Vejo que tenta fomentar a empatia para com estas pessoas.
Coloquem este assunto num livro que fale directamente sobre a emigração ilegal e esperem que o livro ganhe pó nas estantes das livrarias.
Do início ao fim senti uma evolução no livro mas principalmente no autor. O que começou, a meu  ver, por ser uma brincadeira e tentativa de satirizar a situação insólita que é um Rajastanês viajar de propósito da Índia até França apenas para comprar o último modelo de cama de pregos no IKEA, e no fim acaba por visitar a vida de todos aqueles que o faquir encontra durante o seu caminho.

Romain Puértolas faz um trabalho fantástico na abordagem deste tema. Um livro que me marcou muito e arrisco-me a dizer que foi a melhor leitura que fiz em 2016.